Neymar. Moral, comunicação e outros bichos - Por Bira Castellano
05/06/2019 18:09 em Novidades

Nós adultos sabemos o que pode rolar num quarto, no que diz respeito a sexo consensual. Diria Tim Maia, que vale tudo. Consenso é concordar, permitir, criar as regras do jogo e aceitá-las. Existem práticas que envolvem exploração da dor alheia ou própria como fonte de prazer. Quem nunca assistiu aos 40 tons, 'retons' e volta tons dos cinzas? Até aí, ninguém tem nada com o que os outros resolvem fazer como diversão. Discutir isso é pobreza e bobagem. Prosear sobre isso é outra questão. Fiquem à vontade.

Estupro é outra praia. É quando não tem permissão. É quando NÃO É NÃO. Crime e ponto final. Violência sem consentimento (como eu disse no primeiro parágrafo) é crime, também! Divulgar particularidades alheias na redes sociais, também é crime.

Mas o maior crime que EFETIVAMENTE Neymar cometeu, e sobre isso eu não tenho a menor dúvida, foi utilizar suas redes sociais no intuito de se defender da acusação de estupro. Porque digo que é crime? Não se trata de contrariar a lei, no caso, pelo menos até onde sei não há lei estabelecida para o crime que ele cometeu. Mas é grave!

No Twitter o adulto Neymar tem quase 44 milhões de seguidores. No Instagram, com quase 120 milhões de pessoas 'assinando' seu perfil (seguidores), ele só fica atrás de CR7.

Muito bem. A pergunta que somente as empresas Twitter e Instagram poderiam responder com precisão: Quantas crianças estão entre esses milhões de seguidores?

Pois bem. Ao fazer das redes sociais um canal de defesa de possível crime de estupro ou de violência sexual, expondo a conversação e as imagens do 'jogo' jogado entre ele e a mulher envolvida nesse imbróglio, o que será que pensaram ou pensam as crianças que passaram a ter contato com conteúdo explícito (ainda que tarjado ou nublado em determinadas partes), sobre o que o adulto Neymar classificou de 'normal' entre casais.

"Normal", cara pálida? É um termo forte para crianças escutarem e lerem, concordam? Francamente não vi nenhum colega ou veículo de comunicação abordando esta questão. Posso estar equivocado, pois são milhões de veículos de comunicação e não sou onipresente. Mas fato é que não é isso que está causando o furor das pautas, artigos ou comentários nos meios de comunicação tradicionais e também no mimimi e tititi da Internet.

Quem é ídolo e milionário, como é o caso do Adulto Neymar, teria de entender e exercitar cotidianamente ( e não em ações beneméritas isoladas, como sabemos que o Adulto Neymar faz, com todo o estardalhaço de marketing - que nem deveria fazer, ao meu ver e nas minhas crenças - pelo menos não para 'aparecer' como 'bom moço').

A questão moral é complexa e complicada, mas em alguns casos é muito simples de compreender e jogar o jogo de acordo com as regras estabelecidas pelo tal senso comum.

Cartão vermelho para o Adulto Neymar. E que fique claro! Não pelo que cometeu ou deixou de cometer nas suas relações sexuais, consensuais ou não (deixemos a justiça estabelecer as 'quase' verdades sobre o caso e as penas aos culpados).

O Neymar pai, ao dizer que prefere um crime ao outro ("Prefiro o crime de Internet ao de estupro"), dá a nota da canção do que se passa na cabeça dele, também. Repito, moral é complexa e complicada. Mas às vezes, não. É simples entender quando tem gente errando ...

Esta é uma das milhares de histórias onde a gente pode perceber como o poder corrompe ou interrompe as possibilidades de vida em equilíbrio e fere as capacidades de fazer o bem, de entender melhor o mundo em que vivemos. Como a cegueira se instaura onde há abundância de dinheiro e de câmeras apontadas para o próprio umbigo (e outras partes... rs).

Não posso dizer o que faltou ou o que falta para que o Adulto Neymar seja uma pessoa melhor. Não posso dizer o que falta ao Neymar Pai. Mas posso ter várias idéias a esse respeito. Não! Neymar não é monstro. Nem na vida e, ultimamente, nem na bola...

Precisa melhorar em tudo, fazer melhor e dar bons exemplos para seus milhões de seguidores, em especial as crianças... Ou, no mínimo, parar de dar os maus...

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